segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O racismo no futebol Gaúcho

Casos de Racismos no futebol do Rio Grande do Sul.

O futebol gaúcho carrega em sua história diversos casos de racismo, o que nos remete ao inicio do século passado, quando atletas negros eram proibidos de atuar em clubes de futebol aqui no estado, o que originou a criação de diversas ligas como a José do Patrocínio, em Pelotas e  a dos Canelas Pretas, em Porto Alegre. Apesar disso ter ficado no passado, os casos de racismos não são tão raros assim, o caso do goleiro Aranha, do Santos, na partida contra o Grêmio, foi apenas mais um entre outros tantos.

Com tantos casos recentes, fizemos uma lista de casos aqui no Rio Grande do Sul, certamente muitos casos ficarão de fora (impossível listar todos), mas fizemos o possível. Confira abaixo alguns desses casos: 

1969: Paulo Cézar Lima, o Caju, atleta que ganhou notoriedade no Botafogo e fez parte da Seleção Brasileira de 1970, relata também o racismo que encontrou no Rio Grande do Sul na década de 60. Ele relata no livro Fala Crioulo, do Aroldo Costa, o seguinte:
"Quando passei a excursionar com o Botafogo comecei a sentir o racismo pelo interior do País. Uma das coisas que mais me chocaram foram as tabuletas que encontramos em bares e restaurantes que encontramos em Bagé, Santana do Livramento e Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, onde dizia: proibida a entrada de negros. Nós éramos cinco ou seis jogadores negros, Jairzinho, Moreira, Leônidas, Zequinha e, para nós, o aviso tinha o efeito de uma punhalada no peito. A gente então imaginava como não deveria ser a vida de crioulo local, marginalizado e humilhado por aquelas tabuletas de m... Aí, só de bronca, entramos no peito e na raça só para ver se acontecia alguma coisa e a gente criava logo um sebo, mas como nós éramos conhecidos, fingiam que não viam a cor da gente'", diz Cortes, ao ler um trecho da publicação.

1974: O vice presidente do Internacional, Gilberto Medeiros, então no exercício da presidência, sofreu um processo do árbitro Luis Louruz, após jogo entre Internacional e Esportivo, depois de Medeiros ter lhe dirigido, entre outras, as seguintes ofensas: - Negro e Macaco.

1980: O então jogador do Internacional, Jair Prates, o príncipe Jajá, teria acusado o presidente do clube, José Asmuz, de racismo. Segundo o jogador, ele sofria perseguição dentro do clube por ser negro.

1998: No clássico Bra-Pel, o maior do nosso interior, o jogador Alex Rodrigo, do Brasil, desferiu ofensas racistas ao volante Marco Aurélio, do Pelotas. Após ter sido chamado de "negro sujo" e "preto safado", o jogador do Pelotas acabou agredindo o atleta do Brasil.

2003: Pois no dia 9 de fevereiro daquele ano, com contrato recém assinado com o Tricolor, Christian foi assistir a um Gre-Nal das cadeiras do Olímpico, espaço nobre do estádio. Levou irmãos, pai, e distribuiu autógrafos como todo grande ídolo. O constrangimento veio quando o Inter, seu ex-clube, entrou em campo, e todos ao seu lado se levantaram e passaram a gritar "hu! Hu! Hu!" e a imitar macacos. Foi um momento negativo para o ex. atacante da dupla GreNal.

2005: O meia Tinga também sofreu o mesmo tipo de ataque em 2006, quando atuava no Internacional, em partida contra o Juventude, pelo Brasileiro. Cada vez que pegava na bola, a torcida do juventude imitava o som de macaco. Hoje, ele prefere não falar mais sobre o episódio. Mais um caso: Ainda em 2005, em Caxias do Sul, pela Copa Federação Gaúcha de Futebol, o árbitro Márcio Chagas foi ofendido em partida entre Caxias e Encantado. O treinador do Encantado teria o chamado de "macaco imundo".

2006: Jeovânio Rocha do Nascimento foi alvo de uma ofensa racista após uma entrada forte do então zagueiro do Juventude Antônio Carlos, que deixou o campo esfregando a mão no braço, referência racista à cor da pele do adversário. Hoje no Santa Cruz, o jogador prefere não falar mais sobre ao assunto. Outro caso: Outra situação muito desagradável, em partida do Cruzeiro de Porto Alegre, o goleiro Larry Diovane do time da casa, insultou o arbitro chamando de macaco safado. Ele deu azar porque a Polícia Militar estava entrando bem na hora, resultado: o goleiro saiu do estádio algemado. 

2009: Na partida entre Pelotas e Bagé, pela segundona Gaúcha, o zagueiro Agnaldo, do Bagé, foi preso por algumas horas, acusado de racismo contra um brigadiano. O zagueiro teria chamado o policial de macaco.

2011: Na final do Campeonato Gaúcho de 2011, o meia atacante Zé Roberto, do internacional, foi alvo de outra manifestação racista, quando a torcida gremista imitou o som de macacos ao ouvir o seu nome durante uma substituição. Também em 2011, o zagueiro Glauco, do Ypiranga-RS, foi ofendido por torcedores do Inter de Santa Maria, que o chamaram de "macaco" durante a partida valida pela sétima rodada do Campeonato Gaúcho. "É a segunda vez que sou chamado de "macaco" dentro de campo. Isso não pode mais acontecer. Tenho família - declarou, indignado, o zagueiro de 28 anos, que prometeu registrar ocorrência na delegacia".

2012: O árbitro Jean Pierre Gonçalves Lima denunciou em súmula ato de racismo da torcida do Novo Hamburgo contra Vanderlei, atacante do Caxias, no jogo entre ambos, pela quarta rodada do segundo turno do Campeonato Gaúcho. Segundo documento, a torcida local chamou de 'macaco' o atleta insistentemente e precisou ser contida pela Polícia Militar.

2013: O atacante Zambi, do Caxias, foi vítima de racismo no duelo contra o São Luiz, em Ijuí,  pela semifinal do primeiro turno do Campeonato Gaúcho. O camisa 9 afirmou que a torcida local chamava ele de "macaco" toda vez que pegava na bola.

2014: Ainda no decorrer da temporada, já são vários os casos de racismo no Rio Grande do Sul. O primeiro: O goleiro reserva Lúcio, do São Paulo de Rio Grande, ouviu de um torcedor do Pelotas "macaco, teu lugar é no circo". O arqueiro alertou o quarto árbitro e a Polícia Militar e o homem foi identificado e preso. Segundo caso: Em 30 de março, o zagueiro Paulão, do Inter, foi vítima de insultos após o Gre-Nal pelo Gauchão, na Arena do Grêmio. O caso teve repercussão nacional e resultou em punição ao Grêmio, com o pagamento de multa no valor de R$ 80 mil. O torcedor que ofendeu o jogador ao final do jogo, porém, saiu impune. O inquérito policial sobre o caso foi concluído recentemente e enviado ao Ministério Público (MP) sem apontar responsáveis.
O terceiro caso: Ainda em Março, o arbitro Márcio Chagas da Silva relatou ter sido alvo de racismo durante a partida entre Esportivo e Veranópolis, no Estádio Montanha dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. O juiz acusou a torcida anfitriã de tê-lo ofendido com termos preconceituosos e de ter danificado o carro com bananas. Quarto caso: Em Maio, na partida entre Estância Velha e Bagé, pela terceirona Gaúcha, o técnico da equipe de Estância Velha, Bruno Saymon diz ter sofrido ofensas racistas durante a partida. 'Torcedores do Bagé me chamaram de macaco', conta. O que ainda deixa o caso mais grave, foi o fato da policia militar de Bagé ter dificultado a denuncia de racismo em B.O. Quinto caso: O goleiro Aranha, do Santos, foi insultado no final da partida por torcedores do grêmio, na Arena, em Porto Alegre. Câmeras do canal ESPN Brasil flagaram uma torcedora claramente chamando Aranha de macaco e o resto do grupo fazendo sons que lembravam o animal. Sexto caso: Depois de protagonizar mais um caso de racismo no futebol brasileiro, o Grêmio voltou a sofrer com manifestações racistas por parte de sua torcida, domingo, durante partida contra o Bahia, na Arena Grêmio, alguns torcedores presentes na arquibancada norte usaram a palavra "macaco" em cânticos que atacam o rival Internacional. O novo ato racista irritou o presidente do clube, Fábio Koff. O dirigente viu uma ação "proposital" de parte da torcida para prejudicar o time, ameaçado de ser excluído da Copa do Brasil por causa dos ataques racistas ao goleiro Aranha, no jogo contra o Santos, na quinta-feira passada.

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